May
14Hoje tomei um choque de realidade, num momento lindo. Logo depois de sair com os amigos pra beber e dar risada, voltando feliz pra casa, recebo uma ligação de minha mãe em meu celular, com voz trêmula: “Sua bisa faleceu!”
[insira aqui uma pausa, silenciosa, estática e infinita ]

Não consegui reagir, chorar que nem louca, extravasar essa dor que tá aqui, me matando.
Não consegui dizer uma mísera frase pra minha mãe além de: Você quer que eu te busque aí? Onde vai ser o enterro? Você quer que eu vá pra aí agora? (ela mora numa cidade há 2 horas da minha)
Não consegui fazer nada. A mesma coisa que fiz neste último ano, eu não visitei minha bisavó neste último ano! Eu deixei pra depois pro próximo fim de semana, mês, feriado. Daria tempo, ela estaria alí! Sempre esteve, não?
Agora me resta essa cama, enorme, pra abraçar todos os cinco travesseiros que resolvi colocar para me fazer companhia hoje, chorar o leite derramado, arrrependimento e todas essas coisas que ninguém gosta de gastar lágrimas. E depois rezar para que a minha avó, filha da bisa que se foi, melhore.
Depois de hoje, postergar uma visita, demonstração de carinho, um beijo, uma companhia, um abraço em silêncio, nunca mais. Prefiro chorar de saudade, esse sentmento sim, um dia na vida é inevitável. O arrependimento, depende apenas das escohas que se faz, e eu me arrependi de não ter ido visitar minha boa velhinha.
Que Deus dê a ela o lugar mais bonito e aconchegante do céu, pra ficar vigiando toda essa bela família que surgiu dela, forte, guerreira, única, amável. Minha pequena de olhos verdes onde estiver lembre-se: Júlia eu te amo pela eternidade!
Sua bisneta,
Alessandra.








