May

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Car_01

É engraçada a sensação que se tem ao sentar pela primeira vez no banco de um carro para aprender a dirigir. Dá um misto de poder, liberdade e frio na barriga.

Mas quando você engata a primeira marcha e acelera pra valer o frio na barriga deixa de ser ansiedade e vira insegurança medo. Medo de fazer algo errado, de se machucar e claro ferir alguém.

No início se dirige com calma e empenho em ter atenção geralmente atrapalha-se. Mas não é proposital, afinal enquanto está na época de aprendizado você vai errar, virar algumas ruas sem dar seta, passar na frente de outras pessoas sem olhar por onde anda e foder mudar  o caminho de algumas outras que já estavam no mesmo que você.

Só que amigo, o êxtase, aquele que domina o prazer de sentir O NOVO, o desejado momento desta primeira volta, não lhe permite perceber tudo á sua volta além do mecânico. Esse êxtase cega.

Mas com o tempo se aprende os traquejos da direção e quase como automaticamente você já sabe o que fazer, a hora de mudar a macha, a forma de “jogar” o carro para mudar de vida faixa, onde correr e principalmente a hora de brecar.

No modo automático, tudo fica mais prático, e você se sente mais seguro: Dono de si, do mundo e do controle até… bater o carro.

Ao sair do dito cujo olhar o estrago feito, fazer as contas do seguro, o tempo que vai ficar sem seu veículo, sempre rola um pensamento do tipo: E se eu não tivesse mudado de faixa? E se eu tivesse brecado antes disso tudo?

E SE NADA AMIGO, não pense no que você poderia ter feito, quem vive de passado fode mal.  >Já diria um grupo de amigos meus.

Mude de faixa, corra, viva. Aquele que não acelera é o qual nunca vai sentir nada com a intensidade que você sente. Quanto ao coração carro: Tem conserto! Depois de algumas novas voltas e peças chave dentro dele trocadas tudo volta ao normal, ou muda pra melhor.

Meu conselho pra você ter uma bela trip é: Se permita sentir a força do vento bater no rosto e cada lágrima que cair dos teus olhos permita ser amparada  por um belo par de faróis de neblina que ilumina imperceptívelmente enquanto traz beleza em cada movimento que fizeres.

Vá acelerando sem olhar para as rotações por minuto, teste de verdade os limites: Viaje, cante alto, saia todos os dias de casa sem hora pra voltar e quem sabe um dia até salte de para quedas.

Faça do seu percurso uma bela viagem, com direito a um filme para contar as histórias pelas quais passaste.

Postado por Alê Ferreira 5 Comments »
This entry was posted on Thursday, May 7th, 2009 at 4:02 am and is filed under Crônicas, relacionamento. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

5 Responses to “O trânsito emocional”

  • Bruno Ferreira says:

    O vento batendo no rosto é uma das melhores sensações que eu já tive. Acho que é por isso que eu adoro andar de moto.
    Apesar do vento não bater diretamente no rosto por causa do capacete a sensação de liberdade é imensa.

    07/05/2009 at 12:05 pm
  • Igor Faria says:

    Mas vem cá, a gente combinou de escrever textos sobre batidas de carro no mesmo dia?
    http://14demarco.wordpress.com/2009/05/06/r-mas-eu-nunca-bati-o-carro/

    O mais bacana é que, não é só dirigindo que se vive mais intensamente ao pisar fundo e deixar o vento arder os olhos até rolarem lágrimas. VIVER assim também é uma delícia! Ou deve ser, sei lá… Eu sou meio medroso quanto ao ato de viver, às vezes…

    Mas, vamos combinar uma coisa, ok? Não deixa NUNCA de dar seta. Tome a experiência de quem vive em uma cidade onde NINGUÉM dá seta pra mudar de faixa, ou virar uma esquina. Isso irrita muito as pessoas ao seu redor…

    07/05/2009 at 1:35 pm
  • Maike says:

    Olá.
    Adorei os seus textos, esse em especial. Você fala com naturalidade e isso me encanta.

    Esse texto me fez pensar várias coisas sobre minha vida. É, eu preciso de um pouco de vento no rosto…

    Parabéns…

    18/05/2009 at 2:06 pm
  • Maike Fernandes says:

    Muito legal.
    É admirável a forma como você se expressa, natural…

    Parabéns…

    18/05/2009 at 2:35 pm

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Alê Ferreira

Paulistana com um pé na Europa, nascida em 1987, ora tem a certeza de que publicidade é seu ramo, ora decide ser pop star.

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